Ainda bem que
te deixei, que me desapeguei de ti. Que te deixei cair pelo rio abaixo em
direção ao esquecimento.
Nunca me
perdoaria por deixar-me submeter à tua pessoa, ao modo de vida que tu
escolheste.
Dá-me arrepios
na alma cada vez que me lembro da pessoa que tu és, que procura
desesperadamente amor, mas que acaba por magoar todas as pessoas à sua volta.
Tens a
destruição nas tuas mãos e só queres encontrar a criação. Eu poderia sê-lo, mas
não me quero submeter a isso. Não consigo, sou incapaz.
A minha vida
contigo seria apenas dor, miséria e consequentemente acabaria por perder a
minha essência pura no meio da tua, tão corrompida.
Já te enterrei.
Agora, aguardo
ansiosamente o teu funeral no meu interior.
Até lá, tenta chegar a tempo aos portões da verdade, antes que seja tarde de mais para ti.
Questiona-te, desencontra-te e encontra-te inúmeras vezes.
Por vezes temos
de rastejar, tornar as nossas mãos em carne viva para descobrirmos a nossa
verdadeira realidade e o nosso genuíno ser, e é aí que pecas. Jamais
rastejarás. Tens uma mentalidade de merda impregnada numa alma tão genuína.
Sente, chora,
rasteja, deixa-te ser pisado.
Enquanto não o
fizeres, os mortos irão dançar ao fundo da tua cama enquanto gritam sussurros
de ódio e de dor ao mesmo tempo em que sonhas com um rio de ouro.
Não te condeno,
foi assim que foste criado.
E é assim que
morrerás.
Um ser
desprezível, uma silhueta de ser humano que só repara na merda que foi quando
estiver no leito da morte e quando essa altura chegar chorará por uma vida.
Chorará por tudo o que perdeu e que não viveu.
Mas aí será
tarde de mais e morrerás, a única coisa que ficará é o caos que provocaste em
tantas pessoas à tua volta.