quarta-feira, 8 de julho de 2020

Why everybody loves u


Ainda bem que te deixei, que me desapeguei de ti. Que te deixei cair pelo rio abaixo em direção ao esquecimento.
Nunca me perdoaria por deixar-me submeter à tua pessoa, ao modo de vida que tu escolheste.
Dá-me arrepios na alma cada vez que me lembro da pessoa que tu és, que procura desesperadamente amor, mas que acaba por magoar todas as pessoas à sua volta.
Tens a destruição nas tuas mãos e só queres encontrar a criação. Eu poderia sê-lo, mas não me quero submeter a isso. Não consigo, sou incapaz.
A minha vida contigo seria apenas dor, miséria e consequentemente acabaria por perder a minha essência pura no meio da tua, tão corrompida.
Já te enterrei.
Agora, aguardo ansiosamente o teu funeral no meu interior.
Até lá, tenta chegar a tempo aos portões da verdade, antes que seja tarde de mais para ti. Questiona-te, desencontra-te e encontra-te inúmeras vezes.
Por vezes temos de rastejar, tornar as nossas mãos em carne viva para descobrirmos a nossa verdadeira realidade e o nosso genuíno ser, e é aí que pecas. Jamais rastejarás. Tens uma mentalidade de merda impregnada numa alma tão genuína.
Sente, chora, rasteja, deixa-te ser pisado.
Enquanto não o fizeres, os mortos irão dançar ao fundo da tua cama enquanto gritam sussurros de ódio e de dor ao mesmo tempo em que sonhas com um rio de ouro.
Não te condeno, foi assim que foste criado.
E é assim que morrerás. 
Um ser desprezível, uma silhueta de ser humano que só repara na merda que foi quando estiver no leito da morte e quando essa altura chegar chorará por uma vida. Chorará por tudo o que perdeu e que não viveu. 
Mas aí será tarde de mais e morrerás, a única coisa que ficará é o caos que provocaste em tantas pessoas à tua volta.